terça-feira, 30 de novembro de 2010

Over the rainbow

Chovia muito pela manhã, mas fui presenteada com dois arco-íris a atravessar a serra. Não cheguei ao pote de ouro mas fui à entrevista. Gostei do ambiente. Gostei do discurso "aqui trabalhamos muito, mas valorizamos a massa cinzenta por detrás das máquinas porque sem ela nada feito". Verdade ou não, sabe bem sonhar com uma realidade diferente em que as pessoas não são escravos dispensáveis.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Chove torrencialmente, achei boa ideia não trazer guarda-chuva e apesar de toda a água que vem dos céus uma coisa esverdeada e mole com aspecto de musgo líquido (estou segura que se trata de cocó de algum bichinho) tem de vir cair na minha mala.

domingo, 28 de novembro de 2010

Mais uma vez, repitam comigo: não me façam arranjinhos

O Syd fez anos. O Syd fez festa. O Syd esteve a noite inteira a tentar impingir-me o amigo dele. Mal ele me abre a porta de casa diz "vou-te apresentar o amor da tua vida". Fiquei parada ali à entrada, prestes a dar meia volta e ir embora. Agarrou-me pelo braço e levou-me à sala. Apresentou-me a todos os presentes, e mal eu me sento diz "esta é a SLW e é solteira, este é o Y e é solteiro. Ele gosta de carros antigos, ela gosta de música antiga estranha". A minha única reacção foi baixar a cabeça e tapar a cara com o cachecol. Ao longo da noite o Syd fazia questão de dizer coisas como "anda para a beira dele". E eu continuava no meu canto a tirar o chocolate da cobertura do bolo. "Ó Y, vai tu para a beira dela!" E ele vinha. E apesar de não termos trocado palavra (em circunstâncias normais falo - mesmo que pouco - com as pessoas, mas quando me sinto envergonhada desta maneira o botão "interacção social" fica encravado no off). "Vocês já se conheciam?", pergunta uma das amigas do Syd. "Não". "A sério? É que vocês têm uma química". "Ok, onde é que está a vodka?", pensava eu, "liguem o singstar, qualquer coisa mas mudem de assunto".
Syd: Bebe mulher que vais comigo para o Zoom. Mais ninguém quer vir. 
Eu: Está bem. Assim não vou já para casa. - O "já" foi às 01:30, a confraternização acabou lá para as 5 da manhã. Por muito que quisesse ter ido pela primeira vez a uma discoteca gay, já não tenho idade para chegar a casa de manhã. - Olha, vais de taxi não é?
Syd: Sim.
Eu: Então deves ser o que fica mais perto de minha casa. Vou contigo. - Fez um sorriso malicioso e disse.
Syd: O Y é o que mora mais perto de ti. Ele leva-te não é?
Y.: Sim, pode ser.
Syd: Moras sozinho não moras?
Y.: Sim.
Syd (olha para mim): Era para tu saberes. - Volta a olhar para o Y - Então deixas-me nos Aliados e vais levá-la a casa.  
O Syd ficou entregue, foram uns 5 minutos de viagem até minha casa no carro de um estranho com tópicos como "ah e tal as luzes de natal". E não queria parecer snob nem ingrata, mas não pago boleia com sexo nem amassos (não estou a assumir que fosse o objectivo dele, mas simplesmente que não queria passar a um novo nível de constrangimento, então tentei despachar a coisa). Quando parou à frente do meu prédio abri a porta do carro e disse "epá muito obrigado e não sei quê, boa noite" e saí. Só espero não morrer de vergonha se um dia o encontrar na rua.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O que é que uma pessoa normal faz a uma sexta-feira à noite? Não sei. Mas eu realizo os meus sonhos de infância. Agora vou ter de reorganizar a disposição da mobília para ter espaço no quarto para fantásticas aventuras que prometem algumas nódoas negras.

Hoje olhei-me ao espelho e senti-me mulher. A culpa será do cabelo que hoje apresentava os caracóis unidos em cachos irritantemente perfeitos. Ou talvez tenha a ver com um telefonema a marcar entrevista para terça-feira em Óbidos. Um telefonema que me fez pensar "mas o que é suposto eu fazer agora?". Esperanças são poucas, mas a jornada continua. Começa aqui a bifurcação que poderá influenciar em muito o meu futuro. Tenho de seguir sem saber se vou pelo bom caminho ou despenhar-me duma falésia. Óbidos não é - de todo - o meu destino de sonho (parem de me impingir serra), mas não vou ser ingrata com o que me surgir. Deixar o Porto vai-me custar, e pensar nisso já me deixa nostálgica, mas sempre estive aberta a mudanças. Sobretudo se forem sinónimo de evolução. E é isso que procuro: evolução.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Serra até onde a vista alcança

Para a Tracey

Este fim-de-semana não vou para a prisão da serra.


Antes que perguntem: sim, existem mais casas, mas estão num local onde a inclinação é (ligeiramente) inferior a 90º e estão ainda protegidas de olhares indiscretos pelas árvores. Ainda há quem tenha a lata de me dizer que a zona da baixa do Porto tem muitas subidas. As minhas pernas levam 22 anos a subir e descer ladeiras. Cansa? Sim. But I don't break easily.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A polémica das mamas

Eu sei que já passaram quase 24 horas. Já todo o universo blogosférico e facebookiano dissecou o tema centímetro a centímetro. Mas como isto é um blogue vespertino - porque de manhã trabalha-se (ou pelo menos tenta-se) vamos lá falar da notícia da Rita Pereira nos Emmys. Ao ler isto no mural de alguém pensei "mas a fazer o quê?". Ávida de curiosidade continuei o texto que anunciava que uma novela da tvi tinha ganho um emmy. Olhei para o calendário... nada. Fui procurar festividades/datas nacionais e internacionais e em parte nenhuma encontrei referências a dia 24 de Novembro como (um novo/ alternativo) dia das mentiras. Apesar desse ter sido o choque para mim, a população portuguesa indignou-se com a indumentária de Rita Pereira por ser um pouco reveladora. "É um atentado aos bons costumes portugueses" dizem os puritanos de domingo de manhã. Pior ainda é hipocrisia das mulheres que se babam pelos vestidos de personalidades estrangeiras com decotes até ao umbigo mas chamam de putas a pessoas do mesmo país que estão a tentar alcançar alguma projecção para futuros trabalhos - digo eu. Tem tudo a ver com impressões. Não é assim tão diferente de ir a uma reunião com accionistas importantes e levar fato completo e salto alto em vez de jeans e all stars.


O fato completo neste caso é um vestido decotado. Porque daquilo que já vi da moça não vai chegar longe se contar só com os seus dotes de representação - mas falta de jeito não é sinónimo de falta de esforço ou empenho, assim como querer chamar a atenção não é sinónimo de estar a tentar dormir com alguém. Apesar de não a achar uma mulher deslumbrante, está longe de ser feia. E vem daí o estigma do "está onde está porque tem corpo" ou "subiu na vida porque dormiu com X e Y". Quem faz estes comentários sente-se ameaçado pela beleza dos outros e procura defeitos à força. 
Não, não gosto dela como actriz. Mas acho que me deu para ser a defensora da Ritinha porque:
1 - Quero um par de mamas igual (talvez um tamanho abaixo)
2 - Porque vi o vídeo da entrevista e apesar de não ser nenhuma perita em linguagem corporal (muito pelo contrário) nota-se que está super constrangida, talvez até complexada com a roupa - constantemente a gesticular atabalhoadamente de forma a tapar o peito com as mãos. 
E estou solidária porque também experienciei a fase em que fui de maria-rapaz (calças de ganga, t-shirts largas, cabelo sempre apanho e aparelho nos dentes) a menina que descobre que tem corpo de menina e passa a usar mini-saias e tops com decotes generosos. Se há atenção que é bem-vinda para acalmar inseguranças em relação à visão que temos de nós mesmo, também há em igual ou maior escala atenção indesejada que nos deixa constrangidos e com vontade de agarrar a primeira toalha de mesa à mão para nos cobrirmos. 

 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A minha versão da greve:

Estágio não remunerado, que me levará a acordar amanhã às 6 da manhã como de costume para poder não ter transportes. Apresentam-se duas opções:
1 - Já que os senhores da STCP oficializaram a greve posso rezar para que o metro não me deixe na mão (que é como quem diz: a pé)
2 - Enviar um e-mail a dizer que não vou aparecer por dificuldades de deslocação e ficar na cama a ver Lie to me
Apesar da segunda ser bastante tentadora, o peso na consciência do trabalho que vai ficar pendente (que aumentou exponencialmente com a saída do Syd) está a falar muito mais alto que a preguiça. Vou chegar a quinta-feira com aquele nó na garganta do "devias ter vindo ontem".

Consciência... odeio-te.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estou com preguiça de tirar os gorros do armário, apesar de serem o meu acessório preferido. Os meus lindos gorros à anos 50 que já imploram umas molhas. Não sei explicar a razão mas gosto do ar caniche que me dão, com os caracóis a sairem por baixo daquele bocado de tecido colado à cabeça. Sinto-me fofinha, criança. Como se pudesse a qualquer momento livrar-me de todas as responsabilidades e olhares alheios e saltar alegremente no meio de poças de águas. Atirar o guarda-chuva para bem longe sem me preocupar se me faria falta depois. Agarrar na mão de uma senhora de idade e dançarmos o cancan perfeitamente síncronas. Não o faço, mas sinto que tenho esse poder.
Posso andar com strepfen na mala, mas só por esta razão gosto do Inverno.

A que cheiram as nuvens*

Vamos ver como andam estas mentes maquiavélicas. Que poderia esta nuvem ser?


I spy with my little eye

- Um dinossauro com um nariz em forma de berbequim, mochila às costas, coxas largas e mãos pequenas (que estão a deixar cair talvez uma lebre)

Ou

- O Mapa do Reino Unido invertido.
E agora, já alguém me sabe dizer se sou uma sociopata?

*(título em homenagem a um hater, mas não deixa de ser um bom título)
Sábado foi noite de jantar com as meninas. Companhia do costume, local do costume... atendimento do costume. A V. acha imensa piada dar conversa ao dono da pizzaria, que já começa a achar-se inteirado no grupo de forma a interromper as nossas conversas tentando tirar os telemóveis de cima da mesa com uma tenaz de recolher colher objectos do chão - o sonho de todos os idosos com reumatismo e jovens preguiçosos. 


O senhor que já sabe o tipo de conversas que temos à mesa, de cada vez que lá vamos, deixa-se ficar de pé encostado à cadeira mais próxima, fingindo estar a ver um jogo da liga espanhola na sportv tentando não desviar o olhar da televisão para aquele que é de facto o seu interesse de curiosidade: as tiradas da nossa Samantha e o relato dos seus encontros furtivos.
Samantha: Estive com ele e foi isso.
Eu: Vá lá! - Indignada. - Tu sabes fazer melhor que isso. - Ela começa a rir-se.
Samantha: Querem pormenores?
Eu: Claro!
Samantha: Então... fazia mais ou menos como a M.zinha está a fazer. - Olho para o lado e vejo-a a trincar uma  goma qual guilhotina no pescoço de Marie Antoinette.
Eu: Então não deves voltar a pôr lá a boca.
Samantha: Trinco mas só um bocadinho. Eles até se encolhem todos. 
(Mais tarde enquanto pagávamos)
Samantha: What about you?
Eu: I can't remember...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

De todas as pessoas que poderia encontrar na paragem de expressos do Porto tinha de me encontrar com um colega meu de Castellón. "Vou apanhar avião para Barcelona". Filho da mãe. Também quero.
Acho que já devo ter publicado montes de imagens do Alex Noriega. Descobri-o uma vez por casualidade, e foi impossível não voltar. As ilustrações - no mínimo - arrancam-me sempre um sorriso. Há teorias da conspiração, humor nonsense e estados de espírito.


Alertaram-me para o facto do blogue aparecer em em algumas entradas de motores de busca e apesar dessa opção já não estar seleccionada acho que não fez grande efeito. 

Depressão pós-Syd

Graças à atitude da patroa, o Syd - a pessoa mais tresloucada daquela sala - decidiu ir-se embora. Acho que fez bem. Mas de tudo o que ali aturo a parte mais penosa de todas é ver pessoas com quem já criámos um universo de piadas privada ir-se embora. Foi a A., a V., o H., e agora o Syd.
Hoje já não vou ter com quem comer ovos kinder à hora do almoço. Nunca saberemos se a girafa de facto existe.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Gostava de esclarecer uma coisa:

estar solteira é diferente de estar desesperada em busca de um par de calças. Se é para me chatear pelo menos que valha a pena. Isto não é com tentativas de arranjinhos sinistros que lá vai. Agradeço a vossa insistência em chamar-me encalhada, mas continuo a não me sinto encalhada. Porque namoros qualquer um tem (há quem os tenha de duas semanas e diga ser para a vida). Estar numa relação que faz sentido já é mais raro. Portanto N. Brasuca - que já há uns três meses a primeira coisa que dizes ao ver-me é "e aí? já resolveu?" - pára de me tentar impingir Costinhas e Guilhermões. É que agora fizeste o favor de espalhar a febre para o resto da sala e ter de ouvir o Syd no seu registo sério dizer "quero apresentar-te a um amigo meu. Iam dar-se mesmo bem. Procura-o no facebook" é dose. 

Chivalry is not dead after all

Inseridos na empresa onde estou existem dois grupos, entre os quais há uma grande rivalidade (diz-se que por antigas querelas com a minha patroa). À hora de almoço, quando se juntam todas as pessoas, o ambiente é de cortar à faca e uma linha imaginária demarca este apartheid, símbolo do quão coesa é a empresa. As coisas mudarão? Talvez. Hoje eu o Syd e o V. estávamos  à espera que um moço da outra tribo acabasse de lavar a loiça - tarefa que desempenhava com invulgar alegria. Desligou a água, virou-se para trás e arrancou-me o prato e talheres das mãos. "Eu hoje lavo porque estou bem disposto." Olhou para o Syd e para o V. (os dois tinham três talhares) e acrescentou "mas só às meninas". Fiquei durante um bocado a olhar para as minhas mãos vazias, que seguravam ainda um prato invisível e passado uns segundos apercebi-me que de facto estava a lavar a minha loiça. Soltei o "obrigado" mais tímido e desajeitado de sempre e esperei que os meninos não gozassem comigo em público.
Gostava de dar um beijinho a quem um dia acordou e pensou "flanela é coisa do passado e propensa a alergias, vamos fazer um update para lençóis térmicos". Tentei adiar, mas ontem a primeira entre muitas noites em que a minha cama será constituída por (descrevendo as camadas ordenadamente): lençol térmico, eu (com um pijama largueirão do mesmo material - coisa mais sexy de todos os tempos), lençol térmico, manta, edredom fininho, manta e mais uma manta dobrada ao meio para fazer a vez de duas - porque trazer roupa de cama em transportes públicos é dose. E choro por ter de sair de casa a estas horas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

The breakfast series

Devia haver séries com 10 minutos de duração (não gosto de deixar episódios a meio) para uma pessoa ver de manhã enquanto come o seu chocapic de perna cruzada em frente ao computador.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Gosto muito do dicionário Priberam. De vez em quando tem palavras interessantes de lado. Como por exemplo a de hoje.

Sedilúvio
s.m. - banho às partes íntimas do corpo.