domingo, 17 de outubro de 2010

Da pressão e da censura

O moço mencionado no post anterior não achou muita piada ao mesmo Veio pedir-me justificações via facebook e pediu para que o apagasse. Admiti que o meu tom talvez não tivesse sido o melhor, mas que era uma opinião, e que devia saber aceitar críticas e abrir os olhos. Continuou então enaltecendo o quão bom era o vídeo, que tinha montanhas de comentários positivos e que um professor lhe deu nota máxima numa cadeira por aquele trabalho (porque a avaliação universitária é a sem sombra de dúvida a coisa mais objectiva do mundo). Acredito, mas não me convence. Deve ser uma questão de gosto cultural. Volta a responder-me em tom quase de ameaça, e fico então com vontade deixar o post eternamente. Ainda assim, hoje vinha com intenções de o remover. Mas por coincidência fui primeiro ao forum. Todas as mensagens trocadas por facebook estão publicadas, com o meu nome e foto. Nas mensagens tinha-me pedido que apagasse a entrada por respeito a já termos sido colegas. Nos comentários diz não aceita "que uma gaja que conheceu num jantar lhe falte ao respeito" - coerência. Publicou as mensagens todas menos, muito convenientemente, a minha última resposta - que se apagou por artes mágicas. Afirma nos comentários que vai fazer uma cruzada contra mim e contra o meu blog caso eu não apague a entrada (olha a minha cara de preocupada por ter gente que nem compreende a maioria do que aqui está escrito a ler que demoro meia hora a escolher um gel de banho). Ainda me registei para deixar uma última resposta, mas na qualidade de deus despótico da internet bloqueou-me sem me dar hipótese de defesa. Gostava de saber se pressiona todas as pessoas com ideias adversas às suas, ameaçando-as de perseguição. O lápis azul voltou. 
Se quer perder o seu tempo a dar-me essa importância é com ele. Mas esta foi a última vez que perdi o meu com este tema.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lo conozco

Creio que já por diversas vezes falei da beleza do facebook. Agora falarei da beleza do facebook aliada ao esplendor do youtube. Numa breve contextualização levá-los-ei de volta aos longínquos tempos de Castellón (choro incontrolável). Já tinha mencionado o Miguel aka Maykol, crente em Michael Jackson e sua filosofia de vida. Pela altura em que o chamei de azeiteiro, ainda eu não sabia da missa a metade. Já tinha conhecimento do forum (chegou inclusivamente a perguntar-me se queria ser moderadora, só porque sim), entretanto enviou esta semana para os contactos do facebook um evento com o link para uma pseudo-curta-metragem. E se é giro perder horas de youtube a ver vídeos idiotas, imaginem o quão fantástico é passar horas no youtube a ver vídeos idiotas de gente conhecida (riso maléfico enquanto uno as pontas dos estilo ao estilo do Mr. Burns).


Todos os dias agradeço a nosso senhor something something por não ter existido youtube quando eu era pequena. A este agradecimento acrescento um pedido: que jamais me dê estas ilusões de egocentrismo/ grandeza/ idiotice ou qualquer outro sinónimo para estas demonstrações de decadência.

Lição de História

Parece que este início de semana me deixou no espírito de postar por aqui vídeos. O que se segue é uma fiel narração da História do mundo desde os tempos de Adão e Eva até ao século XX. O meu encanto pelo fio condutor usado prende-se com um certo reconforto em aperceber-me que há mais de nós, gente simples que tem raciocínio à la páginas amarelas que são por vezes incompreendidas pelos outros que não entendem como estamos avançados.
(Nota: Anacronismos e erros geográficos não são - de todo - relevantes)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

Considerações de moda (?)

Por estes dias é impossível entrar-se numa loja de roupa feminina sem deparar com uma secção dedicada a coisas felpudas. Os coletes e casacos de pêlo são o must have da estação, e apesar de não os achar horrendos, não posso dizer que morra de amores. Ainda assim, como é humanamente possível ficarem bem a alguém quando a própria manequim parece o abominável homem das neves?


***

Contudo, era bem menina para vestir isto:


Gostava imenso de socializar um pouco mais com as raparigas com quem vivo. Mas discutir telenovelas está fora do meu alcance.

My grasshopper days are over

A meio do percurso, chegou a altura de dar tudo.
São quase 2 da manhã e só consigo pensar que trabalho no próximo fim-de-semana. Pumba, escreve-se logo o nome da moça para pedir as credenciais sem sequer a consultar. Sois uns fofinhos. Amorosos. Farturas alegres pululando no óleo quente. Não tivesse batido o pé tinha passado também a noite de ontem a trabalhar numa discoteca da Lixa. De tanto sítio que há, tinham de desencantar uma terra chamada Lixa. Bravo! "Desculpa L., não te quero deixar na mão. Se precisares mesmo mesmo de mim eu vou, mas a minha vontade para ir fazer trabalhos pagos dos quais não me chega nada é... nenhuma". Para a semana vai ser uma seca, mas nada que se compare a uma noite perdida a aturar avecs bêbados. Mais um esforço em nome da estaleca e diligência.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Imagine


É humano vermo-nos como o centro do universo, a causa que despoleta a acção de tudo o que nos rodeia. Do nosso ponto de vista somos sempre o herói ou a vítima. O herói quando nos sentimos superiores, vítima quando (justa ou injustamente) as coisas simplesmente não correm de feição. O nosso umbigo é o centro gravitacional de luas e planetas, cuja actividade cessaria sem a nossa existência. A hipocrisia chega quando numa epifania libertadora tomamos consciência disto mas continuamos a agir como crianças mimadas cujos sentimentos são os únicos em causa. Tudo porque queremos ser únicos. Ter experiências únicas, apesar de já terem sido vividas e revividas vezes e vezes sem conta por outras pessoas, desconhecidos sem importância. Talvez nem seja a procura do ser único, mas do sentimento de ser especial. E sim, um momento corriqueiro, pode ser elevado a um especial momento corriqueiro ainda que efémero.





John Lennon - e o seu legado - com Yoko Ono por Annie Leibovitz
Parece muito mal descalçar-me na estação de autocarros e enxaguar as meias (que contêm água suficiente para matar a sede a uma família desnutrida) enquanto espero pelo meu expresso?

Boucherie

A minha dúvida existencial às 7 da manhã é não me lembrar como se diz talho em francês. Coisas que me ocorrem quando tomo banho. Não sei de onde vêm. Faço um esforço enorme. Tento visualizar o talho do filme Delicatessen e apresso-me porque a dúvida me consome. Neste momento o google libertou uma grande quantidade de endorfinas do meu corpo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pleonasmos e desperdícios

Vamos falar de tentação, princípios, revolta e burrice humana através de uma analogia. Digamos que hipoteticamente houve um incêndio numa hipotética empresa. Dois meses depois aos hipotéticos estagiários é pedido que arrumem a hipotética sala para onde foram levadas as hipotéticas tralhas enquanto o hipotético local estava em obras. A hipotética patroa diz "guardem só cassetes e pastas que possam ser usadas, o resto é tudo para o lixo". Uma das hipotéticas estagiárias, entre o lixo da hipotética patroa, encontra entre outras coisas fotos desta em biquini, um mp3, um troféu de kitesurf, e vá.... um iPod de 30Gb. O que faz a hipotética estagiária com a consciência mais chata de todos os tempos? Junta tudo numa caixinha e deixa-a à hipotética patroa.
Meus caros, esta hipotética blogger poderia neste momento ter um ipod nada hipotético.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hoje apaixonei-me...

... por esta árvore. Outono, Outono... não fosse a chuva, a tua temperatura tépida seria perfeita se durasse todo o ano.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

É isto o futuro


Começo a sentir-me velha, e um dia destes tenho uma indignação daquelas que começam com um tom condescendente por "esta juventude...!". Não tenho por hábito ver televisão, em parte pela programação oferecida, mas também pela inúmera publicidade que é transmitida e repetida e que não nos abandona durante dias. Portanto, cortei o mal pela raiz. Este meu alheamento poderá estar relacionado com o meu espanto ao ver hoje ao sair do cinema um garoto a deslizar, citando Boss AC (deverá ser a primeira e última vez que o seu nome é aqui referido): "tu não andas, tu deslizas". Achei estranho. Muito estranho. Mas como estávamos a passar numa rampa ainda pensei que pudesse ter as sapatilhas escorregadias ou que houvesse alguma explicação. Na minha posterior ida ao supermercado deparo-me com uma rapariga que numa superfície plana, à semelhança do rapaz, também deslizava. Então percebi: sapatilhas com alguma espécie de roda, possivelmente o equivalente aos ténis que davam luz ao andar que existiam quando eu era garota (e que os pais nunca me quiseram comprar). O futuro chegou e eu não estava à espera. 

Inveja de belas mulheres



Liv Tyler por Anton Corbijn

"Lenda dos Guardiões": aprovado


O que fazer em manhã de feriado? Aproveitar mais um bilhete ganho num passatempo para ir ao cinema. O filme em questão é "A Lenda dos Guardiões" de Zack Snyder, o realizador de 300 e Watchmen (ainda em falta nas minhas visualizações), e (apesar da sala repleta de garotada ruminante aos gritos - não compreendo como é que alguém às 11 da manhã consegue cheirar pipocas, quanto mais comê-las) fiquei positivamente surpreendida com o resultado. Antes de falar do filme em si, quero salientar que o mesmo é precedido pelo regresso de Bip Bip e Wile E. Coyote numa nova curta de animação em 3D. 


Para fãs dos clássicos desenhos animados só estes 4 minutos já compensarão o preço do bilhete. Foram 20 anos de nostalgia de me desceram inesperadamente pela espinha abaixo. Para os cépticos que não acham ser possível transmitir o mesmo ambiente das curtas originais, este novo capítulo da saga demonstrará o contrário.
Quanto à "Lenda dos Guardiões" é uma complexidade de referências narrativas e visuais que se misturam de forma coesa. A história em si é uma analogia a ideais nazis. Se há várias filmes (incluindo de animação) que tentam demonstrar o preconceito existente em ideias pré-concebidas, aqui está patente de forma muito marcante a supremacia dos puros através do cativeiro e morte dos considerados inferiores. O conceito é suportado pela animação. O espectador é confrontado com cenários oníricos contrastando com ambientes negros fortemente vincados pela Terra-Média de J.R.R. Tolkien apresentado n'"O Senhor dos Anéis" por Peter Jackson. As sequências de acção são bastante arrojadas para uma animação e os slow-motion também pouco populares neste género são aqui marcantes. Há planos usados apenas para enfatizar o 3D (o melhor dos filmes que vi neste formato desde o boom Avatar), mas uma história vale não só pelo que transmite, mas pela forma como é contada. E é por isso que este filme vale a pena.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ao ler a "A Revolução Electrónica" de William Burroughs - acabo de descobrir que o seu avô foi o inventor da calculadora - precisei de um pausa para assimilar que alguém efectivamente traduziu "good cop/ bad cop" como "chui violento e chui compincha".
Depois da tempestade vem o Bonanza.


Day by day, work or play, ready side by side
Hello friend, come on in, the gate is open wide
Enquanto esperava pelo metro com a MJ vi um casal acompanhado do filho. A senhora de cabelo oleoso apanhado e top justíssimo demais para o seu físico berrava a plenos pulmões. O homem magro e de aspecto desleixado também não lhe ficava atrás. Ladeavam o garoto de forma ameaçadora, quase que o enclausurando contra a parede.. E continuavam a falar alto num tom quase de ameaça para a criança que nem sequer estava a fazer birra.
Mulher (ao telefone): O filho da puta está agora agora a sair do escritório. - O senhor corroborou com o discurso da mulher soltando mais umas asneiras desconexas. Disse para a MJ «Há gente a quem devia ser proibido procriar». A senhora olhando para o rapaz solta um enraivecido «conas!». Deixei descair e o queixo e levei a mão à boca em choque. A MJ olha para mim e diz «Bem-vinda ao Porto!». Ia alternadamente pousando a mão sobre a boca ou sobre a testa enquanto continuava involuntariamente a ouvir a conversa. Cedo se fizeram à estrada e ainda ouvia um «dá-me a mão caralho!» seguido de vários outros «caralhos» proferidos a uma criança de - possivelmente - quatro anos e que já tem madeixas loiras. E penso que aquele garoto cuja inocência já se foi andará num futuro - talvez bastante próximo - a pedir delicadamente aos transeuntes que esvaziem as carteiras enquanto empunha uma faca oferecendo discretamente uma remoção gratuita do apêndice. 

domingo, 3 de outubro de 2010

Conselho: se se encontram para o norte do país, não saiam de casa. Pela manhã fui ao estádio do dragão a uma outlet que aí decorria - xxiiii, olha a gaja, fala mal fala mal, mas se é para ver roupa está lá batida. A mãe natureza resolve fazer-me pagar pela hipocrisia.Chovia torrencialmente. Quando finda a chuva retomavam os ventos fortes que me faziam ziguezaguear pela rua e rezar para não ser projectada pelos ares. Sobrevivi para ser o messias desta mensagem: fiquem no conforto do vosso lar.

Acordei a meio da noite

e sabia bem colinho.


sábado, 2 de outubro de 2010

Vim agora da apresentação d'"O Bom Inverno" de João Tordo com uma dedicatória no livro da qual só consigo discernir o meu nome. Foi uma horinha bastante bem passada e agora vou retomar a leitura que ficou pendente quase no final da narrativa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Almighty awesomeness

Quero combater os monstros do futuro/passado distante de micro-mini-saia e saltos altos. Ter uma vida paralela  - como se uma por si só já não fosse suficiente - empolgante. Evocar elementos da natureza para o bem. Ter pinta apesar de desastrada. Manifestar emoções extremas. Saltar de prédio em constelação, e ter força para oprimir aqueles que se auto-promoveram a manda-chuvas do universo apesar de como projecto de vida apresentarem um buraco.


Em suma, quero ser um máximo (todo poderoso).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vamos falar de romantismo

A minha gula e falta de força de vontade levam-me a uma incessante demanda por McFlurrys. E depois de umas semanas nisto constato que existe um qualquer apelo que atrai jovens casais a este antro de conforto emocional. Não há uma única vez em que lá vá que não veja um casal, talvez não perdido de amores, mas que não se coíbe em demonstrar afecto perante as restantes pessoas que depois de 8 horas de trabalho só querem uma dose extra de calorias para terem coragem de voltar a acertar o despertador para as 5h50 do dia seguinte. Entre um afectuoso apalpão com cheiro de batata frita ou um beijo regado com molho de Big Mac diria que a manifestação de carinho mais popular é a quase copulação em cima do balcão enquanto os funcionários aguardam pacientemente os seus pedidos. Estamos perante o segredo milenar de uma relação duradoura.