Tremo de cada vez que ponho roupa a lavar. Quando estou por minha conta nunca acontecem grandes acidentes, mas quando é a carga familiar acontece sempre alguma catástrofe ou desvio. Há coisa de um ano dei por falta de uma t-shirt que tinha comprado em Espanha e que desaparecera. "Devo tê-la arrumado em algum canto e nunca mais dei com ela", pensei. Meses mais tarde, ao sair do comboio no Entroncamento vejo a minha irmã a usá-la. "ESSA T-SHIRT É MINHA". "Não é nada! Ando a usá-la há bué". "Lembras-te de a teres comprado? Onde é que foi?". "Estava no meu armário...". "Eu quero-a de volta... Já está a ficar toda desbotada". "Mas... ou!... Eu não tenho quase t-shirts nenhumas, só tops. E eu gosto bué dela". A garota fez olhos quase de choro e não fui capaz de lha arrancar da pele. Pedi-lhe que não a levasse ao Sudoeste, mas obviamente fui ignorada. E agora, depois da lavagem a minha t-shirt flashdance está azul. Azul! Um bocadinho de mim morreu, e já não posso fingir que sou a Jennifer Beals.
(O mesmo aconteceu a par de calções que lhe emprestei para levar, mas - apesar de giros - não tinham história. Eram tara perdida. Mas esta t-shirt não...)
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