terça-feira, 19 de julho de 2011

SBSR III - Acampamento ou as doze tarefas de Hércules

Chegados de véspera para acampar, e já com espaço de terra reservado por amigos, fomos trocar os bilhetes pelas pulseiras vermelhas e fazer o "check-in". Na fila para sermos revistados começa a ouvir-se um burburinho "não podem entrar garrafas de vidro". A coração apertou-se. Pensei no frasco de salsichas que estava no saco e que comprara de propósito em vez da lata para poder guardar as que não comesse. Porque é que alguém haveria de ser cruel ao ponto de me confiscar salsichas? Aproximei-me. O senhor revistou a mala da roupa, e quando pousei o saco da comida perguntou "tem alguma coisa em vidro". Disse entre dentes e com um ar de desconsolo "as salsichas". "Pela sua cara já vi que tem", e juntou o meu frasco a garrafas de vinho e vodka que estavam na mesa atrás de si. Com o sentimento de abandono a abater-se sobre mim, acabei a comer um cachorro numa das bancas (primeira e última vez que lá comi em primeiro lugar pelos preços, em segundo pelas higiéne questionável). Com a tenda montada (abençoadas tendas sem pauzinhos), foi tempo de descansar, e bendizer os tampões de espuma para os ouvidos que foram os meus melhores amigos durante quatro noites. A primeira tarde foi passada na praia, e por volta das 17 horas, com o trânsito que se começava a acumular todo na mesma direcção, era já necessária uma hora de viagem para fazer o percurso de regresso. 

(Último dia na Lagoa de Albufeira... achei aquilo liiiindo)

Entrámos no acampamento com desejo de tomar um banho e deparámo-nos com três filas enormes para os chuveiros mistos de água fria improvisados ao ar livre, apenas com uma redezinha à volta. O grupo perdeu a vontade de tomar banho, mas aquela sujidade de pó que sentia sempre que esfregava os dedos ou tocava no cabelo não me deixaram ficar satisfeita com um banho de toalhitas. Fui então com a T. para a fila de mais de uma hora para poder tomar banho. O primeiro concerto estava a começar, e ainda nem estávamos debaixo de água. Após o banho, tínhamos ainda de enfrentar o desafio de atravessar as tendas até chegar à nossa com o mínimo de pó possível (sendo o mínimo igual a bastante). Isto no fundo resumia-se a uma espécie de jogos sem fronteiras.


Outra tarefa herculiana foi (tentar) carregar o telemóvel no segundo dia. Existia um pré-fabricado com cacifos para guardar os pertences, onde disponibilizavam também fichas. Estava aberto a partir das 12h e às 10 da manhã já havia fila. Na sexta-feira tentei a minha sorte, e estive parada no mesmo sítio durante 20 minutos. Aliás, andei quando uma rapariga à minha frente desistiu de esperar. O resto do pessoal com que estava a acampar passou por mim e obrigou-me a sair. "Não queres que eu tenha pena de ti pois não? É que já começo a ter. Vamos mas é lá dentro". E fomos para o recinto para sermos recebidos por pessoas a distribuir lenços da edp que mais pareciam servir o propósito de manifestantes numa gay parade. Aí passeámos pelas barraquitas onde abundavam coisas fofinhas e erros ortográficos.




Mesmo com os percalços, quero muito repetir a experiência.

3 comentários:

  1. nunca acampei, nem em festivais, pelo que não consigo visualizar bem "a coisa", mas imagino que seja chato passar 4 dias mal lavado. de qq maneira, toda a gente deve cheirar ao mesmo, e está tudo para ver concertos, não para cheirar bem. por isso, siga.
    gostei dos apanhados dos erros. haha.

    ResponderEliminar
  2. só tive na lagoa de albufeira uma vez, adorei! a praia é linda

    ResponderEliminar
  3. Estávamos no carro ao longe e eu de boca aberta a dizer "é tão lindo!"

    ResponderEliminar