sábado, 9 de julho de 2011

Rabo duro Rabo duro

Já há bastante tempo que não bebia cerveja com a intenção deliberada de me inebriar. Mas a cada dois anos dá-se este momento mágico em que a vila acolhe toda a sua população expatriada e um sentimento misto de "I don't give a fuck" com união chauvinista se instaura. E a partir desse momento até ao final da noite, temos apenas uma certeza: cevada é sinónimo de felicidade e aumento da tolerância a kizomba.
Se há dois anos havia um comboio turístico que passeava pela terra (penso - sem certeza - que apenas funcionava de dia), este ano, para meu gáudio e espanto, vejo um enorme autocarro descapotável branco de dois andares com a função de percorrer todos os bares (quatro bares, três paragens) deixando e recolhendo pessoas. O autocarro estava equipado com colunas que passavam kuduro (não, não é possível escapar) e que me deixou a cantar até ao final da noite "rabo duro rabo duro", um dos grandes clássicos do género que não pode faltar em nestas celebrações.

(Momento "como veria a minha terra se sofresse de gigantismo". Beyond awesome)

Este ano decidi entrar a sério no espírito da festa da caneca, e comprar a minha em vez de esperar que pelo final da noite o P. estivesse suficientemente bêbado para me dar a dele. Foi o melhor investimento da noite. Depois de alguma discussão chegámos a um consenso que deverá levar tanto quanto os copos de plástico normais, mas mantém a cerveja fresca durante mais tempo. Já para não falar que são um amor, e trazem ainda uma fita para colocar ao pescoço para não se perderem quando vazias (algo quase certo).

 

Contudo, as fitas não previnem acidentes. E no meio da "pista" o cuidado tem de ser redobrado para não verem a vossa preciosa bebida a servir como lubrificante para o chão. Entornei a minha bebida e bebidas alheias. Um moço muito educadamente só me lançou o olhar de "vou dar um desconto que a rapariga está bêbada", depois de eu literalmente - por acidente - ter enfiado todo o cotovelo esquerdo na sua caneca. Fui também supreendida por aquele que antigamente era o bully da escola, mas actualmente não tem dentes. Chegou ao pé de mim - para gozar comigo ou com o amigo - e diz:
Ex-bully: Era ela que te queria conhecer. Não o querias conhecer? - Não faço ideia de quem era o outro indivíduo, mas quem sou eu para cortar o ambiente. Liguei o modo sarcasmo bêbado e respondi:
Eu: Taaanto! - O Ex-bully fez um ar de surpresa, mas prosseguiu.
Ex-bully: Estás a ver! Eu não te disse? Como é que te chamas?
Eu: Silly.
Ex-bully: Este é o Jason. Agora têm de dar dois beijinhos. - E seguiram caminho juntando-se aos restantes membros do bando que ainda vivem na ilusão de serem bad boys.
A noite passada serviu também para fazer as pazes com o rapaz das mensagens estranhas, que há uns meses atrás, depois de mais algumas investidas, levou um civilizado "desculpa, mas não estou prai virada" e parece ter ficado ofendido (quando me aproximei só dizia "ela não gosta de mim... mandou-me uma mensagem... ela não gosta de mim"). 
Hoje em dia estou muito mais calma no que toca ao consumo de álcool. Mas confesso que sentia falta destas noites de verão regadas de cerveja.

3 comentários:

  1. Silly: o regresso.
    Estás só a aquecer, eu sei que ainda podes escrever posts que relatam mommentos ainda mais surrealistas.

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  2. :D nós aguardamos ansiosamente por mais posts sobre a grande Mira D'aire.
    O ex bully está sem dentes. que bom. eu costumo encontrar os ex bullies da minha escola a trabalhar no continente. e aí rio-me para dentro. é maldoso, mas não consigo evitar

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  3. tracey: eu tb!!

    e ás vezes vejo "a boa" da turma: gorda, dentes tortos e um filho com uns 8 anos.
    things change :P

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