Acordo com uma mensagem que tem um horário detalhado de actividades das quais vou destacar "beijar; dizer que te adoro; namorar; fazer sexo; fazer amor" e termina com "a que horas gostavas de estar comigo". Fiquei a olhar para aquilo durante um bocado e a pensar "sei que acabaste há pouco tempo com a tua namorada, mas vamos sossegar o pinto e procurar uma outra fonte de sexo para essa sofreguidão toda". Tendo a mensagem sido enviada por volta da 1 da manhã - possivelmente impelida pelo álcool - achei que seria melhor ignorá-la para evitar futuros constrangimentos, a minha alternativa à resposta "epá, desculpa mas não vai dar" (que não consigo formular sem que soe presunçosa ou ofensiva).
Se o dia começou de forma estranha, terminou pior. Chegada ao Porto carregada e sem ter ainda carregado o passe para Dezembro, achei que seria boa ideia apanhar um taxi. Dirijo-me ao primeiro da fila, e ao dar a minha trolley ao homem, pareceu-me reconhecer aquela cara. Foda-se! Era o taxista rebardado. Outra vez. E a minha trolley já estava sequestrada na bagageira. Inspirei fundo e entrei.
Taxista: Então foste de passar o fim-de-semana a casa?
Eu: O feriado. - Silêncio constrangedor durante 50 metros.
Taxista: E já arranjaste namorado? - "Foda-se!" - Eu ainda me lembro de ti. - Dei uma pequena gargalhada forçada da qual não sabia ser capaz. Senti-me quando em pequena me apanhavam a comer os chocolates da árvore de natal que deveriam ser só para enfeitar. - Tenho de mandar fazer mais cartões para te dar o meu número. - "Mas já me deu da outra vez", pensei. "E ou está a servir de marcador no meio de alguma revista ou está há muito perdido num aterro de lixo". - De que é que tu gostas? - "Oi?" - Flores? Qual é o teu signo?
Eu (entre-dentes): Virgem.
Taxista: Virgem. Então gostas de flores! E de filmes? Vou-te dar um bilhete para ires ao cinema. O outro é para mim! Não gostas do mar?
Eu: Não.
Taxista: Nunca foste passear ouvir o mar em dia de trovoada?
Eu: Já...
Taxista: Eu gosto muito de ouvir o mar. - E já falava em planos de ir passear à foz. - Mas isso é tudo timidez? Gostei de ti. Já não há mulheres assim. És muito simpática. E hoje em dia as mulheres pintam-se muito. Prefiro o natural. - Pensamento: "Ele está a falar, mas deixa-me abrir a porta de qualquer das formas, assim como quem não quer a coisa". - Então e como é que te posso dar o meu número? - Riso aflito. - Dou-te o meu para me dares o teu. Quando quiseres ir passear para ir beber um café ligas-me. - A minha vontade de tomar café com o senhor é proporcional ao meu desejo de me esfaquear. Mas assim o tempo e os transportes públicos mo permitam, pode ser que não tenha de recorrer à segunda opção.
Eu adoro tudo o que te acontece. Começo a acreditar que tens um iman à parvalheira e ao impensável.
ResponderEliminarp.s. - plz. começa a gravar estas coisas. plz.
Não me chega viver isto uma vez, ainda queres que a humilhação passe em loop.
ResponderEliminarNºao segues os meus conselhos depois é no que dá.
ResponderEliminar"Sim sim, namoro. Conhece o Via Rápida? o meu namorado é lá segurança."
Eu nem conheço o Via Rápida. Vou ver se tenho isso em mente caso (esperemos que não) o homem me volte a aparecer à frente.
ResponderEliminarEu quando leio as historias que envolvem o taxista tenho de me rir :D
ResponderEliminarComo é possível haver pessoas tão chatinhas? XD
E pensava eu que atraia os malucos todos. Olha que tu vai la vai :P
Tens de gravar isto um dia destes e publicar ;)