quinta-feira, 29 de julho de 2010

Há dias em que não devemos calçar sandálias

Esta manhã, como vem sendo rotina há quase um mês, cheguei à empresa onde estou a estagiar. Cá fora estavam o meu coordenador e duas colegas minhas a fumar. "Bom dia", cumprimentei. Olharam-me com ar muito sério e apontaram então para a parte de cima do edifício. Janelas partidas e estores queimados eram o pano de fundo do cenário que se apresentava.
Eu: O que aconteceu?
L.: Houve um incêndio. Ardeu tudo.
Levei a mão à boca em incredulidade e acho que ainda soltei um "estás a gozar!"
L.: E ainda não viste por dentro.
Nesse momento chegou o chefe dos bombeiros e entrámos com ele. O choque foi ainda maior lá dentro. No chão havia enormes poças de água escuras. As paredes estavam completamente negras. "Os bombeiros demoraram a chegar cá. O incêndio só se deu nesta zona. O problema muitas vezes não é o fogo em si, mas o fumo que causa estragos, apesar das pessoas terem mais medo do fogo. Tiveram de partir as janelas porque devia ao fumo o andar de cima aqueceu e estava demasiado calor, provavelmente uns 200/300º."
Ao lado da fonte do incêndio estava a carrinha da companhia, que aparentemente saiu apenas ligeiramente chamuscada. Se a vida real é como os filmes de acção, provavelmente não poderíamos sequer ter entrado se o veículo tivesse explodido.


Ver as pessoas a chegar sem saber de nada, e assistir a todas a terem a mesma reacção também foi penoso. Sobretudo uma senhora que não tinha sido avisada, e ao ver a cara dos colegas pergunta o que se passa. Começou então a chorar e a berrar desalmadamente "Nós vamos levantar isto outro vez do zero. Nem que tenhamos de trabalhar dia e noite".
Eu podia ter vindo para casa, mas quis ver a reacção da minha chefe. Chegou, foi connosco ao café e estava super bem disposta e animada a dizer que "nada acontece por acaso". O seu discurso valeu uma troca de olhares entre a restante equipa onde se lia nitidamente "está louca!".
A nossa sala, toda envidrada estava completamente negra por fora.


Agarrámos em baldes e panos, limpámos os vidros para podermos ter alguma luz para remover os computadores e fazer um balanço dos estragos. Vamos tentar adiantar trabalho a partir de casa, mas não sei o que vai acontecer nos próximos dias.

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