A crisma já terminou, e como seria de esperar foram duas horas e meia desperdiçadas. A minha irmã apregoava com orgulho que ia ser a sua "última hóstia" e eu cada vez me sentia mais idiota por ter acedido em primeiro lugar a deslocar-me ali. Tenho de apontar mentalmente que preciso de uma estratégia para contrariar a garota. Bem, a festa propriamente dita (como lhe chamava o bispo) foi longa, enorme. O fim não se avistava. E qualquer tentativa de me manter séria ia por água abaixo quando olhava para o bispo. O senhor desfilou pelo corredor central, acenando à lá papa a todos os presentes de um lado e do outro, acompanhado pelo sempre taciturno (e muitas vezes com um ar possuído) padre da paróquia. Vi-lhe a cara e achei-o extremamente cómico. Fazia-me lembrar algum actor de comédias dos anos 70, mas não conseguia associar a quem. Deu um discurso que descontextualizado pode corroborar os já confirmados casos de pedofilia existentes na igreja. Não podendo dizer textualmente o que o senhor proferiu, vou parafraseá-lo. "Alregro-me de ver tantas pessoas, sobretudos os mais novos. A flor da juventude com rostos alegres e jovens. Amiguitos e amiguitas que estão ainda ao colo dos pais, este vosso amiguito vos saúda do fundo do coração", acrescentando ainda ao longo do discurso "estão aqui para se tornarem mais firmes e fortes... na vossa fé". O meu ocasional ponto de fuga foi o mesmo que usava em pequena, concentrar-me na enorme imagem que está na parede e pensar "mas aquilo é uma carpete? Parece uma carpete... E se é uma carpete como é que a limpam?"
Na qualidade de madrinha tinha de estar nos bancos da frente. Ou seja, bocejar discretamente e tentar não ser apanhada a mascar pastilha. E isso foi o mais empolgante de tudo. Ainda me orientava quando era para levantar e sentar mas, lamento, não me dei ao trabalho de fingir que estava a rezar ou benzer-me. Segundo o discurso de uma das catequistas sou a "fiadora da fé"da minha irmã. Espero que não lhe cobrem isso ou a moça estará um bocado desamparada.
Venho já há muito tempo a dizer que gostava que a minha vida fosse um musical. E algumas pessoas já tiveram a infelicidade de o constatar. Bem, isso na igreja é possível. O coro cantava - se bem que nenhum dos meus clássico de infância como "esta luz pequenina" - e quase dava vontade de galgar os bancos e cantar com eles. Excepto quando usaram o "sounds of silence" com os versos "Pai nosso, tu que estás/ nos que amam de verdade/Faz que o teu reino que por ti se deu/ Chegue em breve ao nosso coração/ E o amor que o teu filho nos deixou/ O Amor venha habitar em nós" que quase me levou as lágrimas aos olhos por presenciar tal assassinato. Pronto, já passou...
Apesar de normalmente não vir para aqui comentar o outfit das pessoas, tenho de falar do moço na foto abaixo de casaco branco. Ele e o padrinho iam exactamente iguais, com isto quero dizer IGUAIS. Calças pretas, camisa com o mesmo padrão e o casaco branco com o mesmo corte, quais barões da droga. O objectivo da foto era apenas mostrar o bispo - coisa que também não foi muito bem conseguida graças àquela coisa (ceptro?) que não tirava de frente da cara do meu ângulo de visão. E isto porquê? Lembrei-me de onde reconhecia aquela cara. Ele é igual ao Peter Sellers.

Grande Peter Sellers!
ResponderEliminarSimplesmente adoro-o.
ResponderEliminara carpete (e uma sim) e tirada de tempos a tempos da parede e e transportada para ser lavada. e depois e reposta no sitio do costume... como a nossa industria mae e o textil sempre pensei k fosse por isso k e uma carpete e não uma pintura... mas de facto n sei... (kero ver uma foto do teu outfit integral)
ResponderEliminarconcordo com a su, mas devo dizer que so me lembro de a dita carpete ter sido retirada uma vez!!! apenas uma vez em mais de duas decadas!! :P
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