Venho hoje falar do momento mais aguardado do ano para os pobres de espírito: a selecção no mundial. Se gostava de estar indiferente a toda a agitação em torno deste evento, tal se torna impossível tendo em conta que me encontro na Covilhã, terra da neve para alguns, terra-tire-me-daqui-que-não-fiz-mal-a-ninguém-e-ainda-por-cima-faz-calor-que-fode para mim. Tudo começou com as obras que obrigaram os alunos a comer pó durante uma semana enquanto se dirigiam à universidade. Passadeiras pintadas de vermelho à pressão que durante dias obrigavam ao desvio de peões (que é como quem diz, eram pintadas às metades e o transeunte ou tinha de se desviar pela estrada ou procurar a passadeira mais próxima).
Prosseguindo, vamos tentar descrever a selecção. A selecção são: as ridículas manifestações de apoio através de actividades "desportivas" cujos prémios variam entre bolas autografadas e 2 receitas + duas caipirinhas (gente generosa).
A selecção é: contratar pessoas para dirigir motas pela cidade com mensagens de incentivo.
A selecção é colocar uma estrela horrorosa e enorme no meio da cidade.
Se calhar a estrela de 3 metros mesmo em frente à câmara é capaz de não passar a ideia do quão honrados estamos pela selecção ter escolhido tão humilde cidade para os seus treinos, abdicando assim da sua paz. Então toca a espalhar mais uma ou duas que é para parecer vistoso.
O pequeno comércio e restauração também querem aderir à moda. E se há uns mais discretos que se limitam a uma bandeirinha e um cachecol pendurados,
há aqueles que perderam a noção do ridículo e numa loja já pequena torna-se difícil através da vitrina perceber o que se vende lá dentro.
Lêem-se por todo o lado mensagens de apoio. Mas várias pessoas não foram informadas que não estamos no S. João.
A melhor "quadra" que li foi sem dúvida:
"Bem haja selecção
Com o ar da Covilhã
Serás campeão".
Piroseira à parte, atentemos no erro de concordância de género. Selecção (nome feminino) quanto muito seria campeã. Bom, soa mal. Mas tudo pelo selecção.
Será que tudo isto teve/terá retorno? Espero bem que não, para que alguém se aperceba que apesar do culto, futebol não é cultura. Poderia existir sem todo este estardalhaço.
E eu até poderia não estar incomodada com tudo isto. Mas estou, e vou dizer porquê. Há um objecto, cujo meu maior desejo é que sugue a vida a quem o toque durante tempo indeterminado (vá, só até ao final do mundial). Estou a falar daquela coisa que dá pelo nome de vuvuzela. É do senso comum que Portugal não tem civismo suficiente para que qualquer cidadão possa andar "armado" com instrumentos que geram ruído irritantes. Sobretudo quando começa espontaneamente uma sinfonia às 2 da manhã. Devia ser obrigatória uma licença especial para posse da vuvuzela.
Brilhante. Vou partilhar tal pérola.
ResponderEliminarDe tudo o que disseste, só concordo com o ponto sobre a vuvuzela. Maldita vuvuzela, e malditos os criativos da Galp que soltaram um monstro em Portugal.
ResponderEliminarNão te queixes que comeste pó na rua da UBI. Imagina o que é ires trabalhar todos os dias, voltar ao almoço e ao fim do dia, e nunca saber o trajecto que vais fazer devido aos desvios a horas menos próprias, às filas devido às "meias-passadeiras" e substituição de paralelos. Todos os dias durante um mês.
Mas nem tudo é mau, a cidade precisava destas renovações. O motivo e o timing podiam e deviam ter sido melhores, mas acaba por ser um mal necessário.
adoro as motas. é que por a foto ser pequena, quase que parecia que dizia "puta pela selecção", sendo que cada menina estaria na sua mota a angariar dinheiro para a selecção xD
ResponderEliminaras vuvuzelas...quando isso começar a tocar na minha rua, no outro dia há notícias para o correio da manhã/24 horas.
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