Conselho útil: NUNCA ir a uma discoteca sóbrio.
A saga começou quando saímos de um dos bares do costume para a discoteca. Tendo em conta que tenho aulas às 9 da manhã, a minha garganta dói (creio que falta pouco para ficar sem voz) e que o meu plafond para esta semana está no limite, decidi não beber. Que má escolha. Duas das raparigas com quem com o Tiago e o Hugo tinham aparecido e com quem tinha ido para o bar, estavam podres de bêbadas. Tanika, a holandesa, começa a falar comigo e fui a ouvir as histórias da sua vida até à discoteca. E isto vai soar estranho, mas ver gente conhecida muito bêbada desperta-me um sentimento maternal. Agarrei a moça quando ela mais do que uma vez quase ficava estendida no chão, e já na discoteca encontrei a sua máquina fotográfica que inconscientemente havia projectado para o meio dos pés de um grupo de espanhóis.
Tanika: Why are you being so nice?
Eu: I know what is it like to be drunk.
Ainda ajudei a americana (a outra rapariga) a encontrar o grupo com quem estava, e no final, quando lhes disse que me vinha embora, a Tanika - não sei se por descargo de consciência - pergunta se a minha casa fica a mais de 5 minutos. Disse-lhe que seriam uns 15, e ela não me deixou vir sozinha. Só pensava "não preciso que duas bêbadas me levem a casa". Mas insistiram... muito. À saída a Tanika queixa-se dos pés e descalça-se.
Eu: You can't walk barefoot.
Tanika: I have socks
Eu: The floor is wet.
Tanika: My feet hurt.
Eu: ... What size are you?
Tanika: 39.
Eu: 39? I'm a 40. - Já ela se tinha descalçado, e começa a americana (não sei o nome dela) a tentar calçar as botas da Tanika, mas sem sucesso. Tirei um sapato. - I can't believe I'm doing this in the middle of the street. - Com muito esforço calcei as botas e, surpresa surpresa, eram o meu tamanho.
Pequeno pormenor: as botas tinham - e juro que não estou a exagerar - perto de 10 cm de salto. Estou habituada a sapatos rasos.
Tanika: Now I feel bad... You have to walk with my shoes. They hurt.
Eu: It's ok. Now it looks like I'm also drunk. - Pena que isso não fosse verdade, teria sido menos penoso ouvir as conversas entre as duas sobre transmissão de Sida pelos pés que levou à menstruação, que levou a metódos contraceptivos. Só a título de exemplo:
Tanika: I was told you can get Aids if you do a blow job.
Americana: ...Yes.
Tanika: But you said there had to be blood.
Conversas à parte, a americana espalhou-se duas vezes no chão. Na segunda (numa rua deserta), tinham de estar três espanhóis a assistir, e qual o instinto de uma menina bêbada? Meter conversa (em espanhol).
Tanika: Duas vezes. - A referir-se ao número de quedas da amiga.
Espanhol 1: De onde és?
Espanhol 2: De Albacete?
Espanhol 1: Não vês que não. - Vi os gajos a começar a aproximararem-se demasiado dela, e enquanto a arrastava (literalmente) pelo braço, dizia-lhes:
Eu: Agora vamos para casa. - Ela continuava a falar com eles, à medida que eu a puxava os rapazes um pouco renitentes seguiram caminho. Chegada a casa, devolvi as botas à rapariga, e apesar de lhe ter oferecido o que calçar, ela preferiu ir de meias para casa.
Conclusão 1: Se vir gente aparentemente bêbada, não manter contacto ou sentir-me-ei responsável por ela.
Conclusão 2: Com um salto de 10cm fiz o percurso até casa (que em vez de 15 minutos levou quase uma hora) sem cair ou tropeçar.